sexta-feira, 8 de maio de 2026

#03 Baboseiras Aleatórias - Achando o meu caminho parte 01

Eu sempre quis me tornar alguém na vida, mesmo sabendo que se tornar alguém na vida seja uma ilusão e que não existe exatamente uma maneira correta ou certa de se viver.

Desde bem pequeno, tentava reproduzir alguns hábitos dos meus irmãos mais velhos: jogando videogames, buscando namoradinhas pra segurar na mão delas e ser carinhoso, assim como eu via eles sendo com as namoradas deles... Eu tentava copiar os desenhos que meu irmão mais velho fazia e sempre me frustrava e desistia logo depois. Eu tentava criar meus próprios sites igualzinho meu irmão me mostrava. Mas todas essas coisas sempre foram bem passageiras, nunca consegui me aprofundar em nada durante todos esses anos que vivi. Acredito que a única coisa na qual eu realmente cheguei bem perto de me aprofundar e de fazer e repetir diversas vezes, até ficar minimamente bom, foi o basquete.

Eu comecei a jogar basquete com 13 anos de idade, após alguns garotos mais velhos passarem na minha sala e convidarem alunos interessados a participarem do projeto 17:30. Esse projeto consistia em aulas de basquete uma vez por semana, sempre após o horário final das aulas. Karin era o nome da nossa professora, uma pessoa bem simples. Tinha os conhecimentos básicos de basquete e nos ensinava a bater bola e jogar ela no quadradinho pra "ser mais fácil".

Em seguida, tive um breve incentivo do meu irmão do meio, me levando pra jogar em algumas quadras, e conheci alguns amigos do colégio que gostavam de se reunir pra jogar os famosos rachões.

Com algo em torno de 15 anos, eu comecei a procurar peneiras e me recordo que esse período da minha vida foi muito vivido no modo automático. Eu nem me lembro onde começou a ideia de procurar peneiras pra entrar num time de basquete, mas me recordo de tentar passar em dois clubes com meus amigos e não conseguir ser chamado, com exceção do meu melhor amigo, que conseguiu ser aprovado nos dois times.

Eu consegui a aprovação num time chamado Duque de Caxias. Não era um time muito bom, mas, na época, eu nem pensava muito, e era a minha única opção dentre os quatro maiores clubes de Curitiba.

Nesse período de um ano e meio em que joguei basquete no Clube Duque de Caxias, eu consigo me recordar como se eu tivesse vivido muito mais tempo nessa época. Eu realmente me deixei levar e levava a sério, e com muita dedicação, todos os treinos que eu fazia. Eu, de certa forma, sempre gostei de dar o meu máximo e, algumas vezes, consegui ser reconhecido por isso. Meu treinador inclusive falou uma vez que eu, apesar de não ser muito bom e por pior que fosse o meu erro dentro da quadra, sempre corria com a maior força e velocidade possível pra voltar pro outro lado e defender a cesta do nosso time.

Eu enxergo essa fase da minha vida como uma época muito boa e sou muito grato por ter tido a oportunidade de conhecer outro estado e disputar vários campeonatos regionais. Nós nunca conseguimos algum título, e o mais perto que chegamos foi ficar em 2º lugar num campeonato bem pequeno entre clubes. Mas eu nunca me importava tanto, pois sabia que eu só estava começando e ainda haveria muitas oportunidades por eu ser bem novo.

No ano em que fiz 16 foi o famoso ano da pandemia de Covid-19. Eu lembro bem, era 20 de março de 2020. Eu estava num hospital fazendo um exame cardíaco de rotina pra levar no clube, estava de coração partido e recebendo muitas mensagens de alguns familiares me chamando de doido por estar fazendo exame numa época dessas. Naquele período, as pessoas mal podiam esperar pelo que viria a seguir...

Eu tive meus treinos cancelados e as aulas no colégio consequentemente também. Comecei a namorar com a Maria em abril daquele mesmo ano. Acho que consegui suportar muita coisa, principalmente por ter conhecido ela na pandemia. Nós passávamos coisa de 10 horas ou mais por dia em ligações de vídeo, passávamos tempo vendo filmes e conversando sobre nossos planos pro futuro.

Eu sempre soube que a Maria era a pessoa certa pra mim. Eu acho que pedi ela em namoro antes mesmo do nosso primeiro encontro. Quando nos vimos pela primeira vez, foi como se nos conhecêssemos há muito tempo. Até hoje me fascino pelo fato de, mesmo após 6 anos, o nosso amor e carinho não terem mudado nadinha.

Voltando para o basquete, eu não consegui mais voltar pros treinos do clube. Cheguei a ir alguns dias, mas o técnico sempre nos alertava de que aquilo era instável e não sabíamos quando acabaria novamente.

O tempo passou e, em 2023, eu precisei começar a trabalhar em tempo integral numa confeitaria. Foi mais ou menos nessa época que meu "sonho" havia acabado.

Eu nunca levei o basquete como um sonho, mas, como comentei anteriormente, essa era a única coisa que eu fazia com intensidade o suficiente pra saber que deveria continuar naquele caminho. Eu sequer gostava de acompanhar os jogos da NBA, eu gostava mesmo era de treinar e jogar os campeonatos que o clube arrumava.

Eu sentia algo dentro de mim, de que aquele esporte... aquele esporte era pra mim. Eu sabia que, se continuasse me esforçando, de um jeito ou de outro eu iria conquistar algo naquele caminho...

Em 2024, eu torci o meu joelho e rompi o ligamento do joelho esquerdo. Até hoje não sei muito bem por que eu não fiz nenhum exame nem nada. Eu me recuperei, mas sempre senti que meu joelho já não era mais o mesmo e que os meus dias de basquete estavam fadados ao fracasso até que eu fizesse algo pra consertar.

Este ano tentei voltar a jogar basquete em uma quadra próxima ao apartamento que comecei a alugar no final de 2025. Dito e feito: torci o meu joelho novamente e agora estou no processo de fazer as consultas e exames. Eu imagino que, se for o caso de uma cirurgia pelo SUS, vai demorar um pouco até eu voltar pras quadras novamente.


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